sexta-feira, 15 de abril de 2011

Busca pela beleza ideal e os impactos da vaidade em excesso.

Busca desenfreada pela perfeição pode prejudicar autoestima



 










Os números comprovam: dois terços das mulheres entre 15 e 60 anos de idade evitam atividades básicas da vida porque se sentem mal com sua aparência; mais de 92% das garotas declaram querer mudar pelo menos um aspecto físico; nove entre dez mulheres querem melhorar alguma coisa no corpo. Os dados são da pesquisa mundial desenvolvida pela Dove/Unilever, em 2004.

A realidade dos números é cruel. São raras as mulheres satisfeitas com a sua beleza. A maioria corre atrás do padrão estético das beldades que posam para revistas e desfilam na TV. Quem não se encaixa nele - quase 90% delas - sente-se excluída e humilhada e tende a aceitar qualquer sacrifício em nome da "beleza ideal".

Diante desse quadro, cabe perguntar: como as mulheres chegaram a esse ponto, depois de tantas conquistas importantes no último século? Quais são as conseqüências dessa obsessão para as adolescentes? Onde entram as "diferentes" nesse sistema? Por que é tão difícil aceitar a diversidade da beleza?

Em busca de respostas, a psicóloga Rachel Moreno escreveu o livro “A Beleza Impossível - Mídia, Mulher e Consumo” (Editora Ágora). Citando o estudo feito pela multinacional da área de cosméticos, ela condena o ataque diário da mídia e faz um alerta: existe uma possibilidade real de o excesso de vaidade se tornar um problema de saúde pública, dada a interferência da mídia, da publicidade e dos interesses do mercado na formação das crianças e adolescentes.

"O ideal de beleza cria um desejo de perfeição, introjetado e imperativo. Ansiedade, inadequação e baixa auto-estima são os primeiros efeitos colaterais desse mecanismo. Os mais complexos podem ser a bulimia e a anorexia", afirma Rachel, lembrando que mesmo as mulheres adultas podem ter sua estabilidade emocional afetada.

A autora propõe uma discussão entre mulheres, homens, pais e educadores sobre a forma como a mídia mexe diariamente com a auto-estima feminina. Ela alerta para os malefícios dessa imposição social e ensina a reconhecer os limites da ditadura da beleza, apontando caminhos para quem deseja se defender dessa influência.

As brasileiras, segundo a pesquisa, estão entre as que têm a auto-estima mais baixa - muito provavelmente em conseqüência do modelo de beleza eurocêntrico (padrão europeu) e inalcançável para a realidade nacional. De acordo com o levantamento, elas se submeteriam a todo tipo de intervenção estética para se sentirem belas.

Os dados, explica a autora, podem ser comprovados cotidianamente. Só em 2003, as brasileiras gastaram R$ 17 bilhões na compra de produtos cosméticos e de perfumaria. O Brasil também apresenta o maior índice de mulheres que declaram ter feito cirurgia plástica. Outros estudos revelam ainda que a população feminina no Brasil, comparativamente, é a que mais se submete a sacrifícios pela "beleza". Isso inclui dietas, malhação, remédios, cosméticos, entre outros tratamentos.

"A mulher brasileira busca se aproximar da silhueta típica das européias (mais longelíneas) ou das americanas (de seios mais fartos)". Isso mostra o quão maléfica é a influência da mídia. "As mulheres estão bastante desconfortáveis consigo mesmas. Desconfortáveis e provavelmente com sentimento de culpa. Uma geração com baixa auto-estima. A quem serve isso?", questiona Rachel. "A verdade é que isso vende”

Até onde é saúdavel a busca pela beleza.


Até onde é saúdavel a busca pela beleza.




Beleza Excessiva








Desde a segunda guerra mundial, o processo de globalização vem desintegrando os valores sociais que foram sustentados por vários anos. O teatro, a indústria cinematográfica, o rádio e a televisão foram meios utilizados para se alcançar à massa e estimular um novo conceito de dimensão social. Apesar do desenvolvimento gerado, observa-se hoje uma desconfiguração da cultura local e nacional.

Todos os dias, a mídia nos oferece uma legião de pessoas sorridentes, bonitas e bem humoradas que exibem beleza, poder, inteligência e dinheiro. Basta que se inicie uma nova novela que quase todas as tendências são absorvidas pela grande maioria da sociedade, seja um penteado, vestuário, comportamento, etc. Mesmo que isto seja um retrocesso, é aceito pela maioria, pois a forma como é introduzida no pensamento das pessoas acabam gerando o desejo para o consumo.

Devido a essa retórica estrategicamente desenvolvida, surgiu um sedutor mercado de beleza que promete solucionar todo e qualquer deslize da natureza e ou castigo do tempo e que nos últimos dois anos vem crescendo assustadoramente. Mais que a própria satisfação, as pessoas solicitam permanentemente o reconhecimento e a admiração do outro. Porém, mesmo quando a recebe, a admiração esperada logo se revela insuficiente, provocando uma busca duradoura pela superação de seus atributos, gerando, assim, uma busca incessante por padrões estabelecidos.

Uma pesquisa realizada pelo Observatoire Cidil des Habitudes Alimentaires (Ocha) na França, em 2003, num universo de mil mulheres, revelou que 86% delas se dizem insatisfeitas com suas formas anatômicas. Apenas 14% afirmaram sentir-se bem com seu corpo sem terem para isso utilizado qualquer procedimento de modificação. No Brasil, o quadro não é diferente. Pesquisas divulgadas pela revista Veja em 2004 revelam que somos o segundo país do mundo em número de cirurgias plásticas: 400 mil em 2003, metade delas puramente estéticas (40% lipoaspiração, 30% mamas, 20% face), na maioria realizadas entre os 20 e 34 anos. Dos 12.477 entrevistados pelo Instituto InterScience, 90% das mulheres e 65% dos homens afirmam sonhar com mudanças no próprio corpo; 5% já tinham feito alguma plástica, e 90% pretendiam fazer outra. Entre os que nunca fizeram uma cirurgia plástica, 30% declararam que esperavam criar coragem para realizá-la.

Em contra partida existem algumas comunidades africanas, onde a gordura é um sinal de riqueza e saúde e podem aumentar as chances de fazer um bom casamento. Em Níger, país da África Ocidental, mulheres da comunidade Djerma se preparam para o casamento fazendo regime para engordar. As mais bonitas não têm manequim menor do que 48. Ultimamente os muçulmanos tentam bloquear qualquer ação estratégica que venha desintegrar seus valores culturais através de influências americanizadas.